Cultivo de Bromelias X Aedes Aegypti

04.04.2016

 

As Bromélias são espécies tipicas de florestas tropicais, da família das Bromeliáceas, com mais de 3000 espécies e milhares de híbridos, sendo que só no território brasileiro, encontramos mais de 1500 espécies com infinitas variedades e combinações de formatos e cores. Na natureza, aparecem como epífetas (plantas que vivem sobre outras plantas, mas não roubam seus nutrientes, como parasitas), terrestres e rupícolas (as que vivem entre pedras). São divididas em cerca de 50 gêneros, que se diferem pela necessidade de luminosidade, regas e substratos que cada espécie tem.

Além de beleza variada, são de fácil cultivo, baixa manutenção e muito apreciadas no Paisagismo. 

Mas adquiriram má fama por reter água entre suas folhas.

Muitas pessoas pensam que esse acúmulo de água pode se tornar foco criadouro para a larva do mosquito Aedes Aegypti, transmissor das doenças dengue, zika virus e chikungunya.

Porém, especialistas dizem que esta informação está errada e as nossas queridas bromélias estão isentas de culpa, primeiro porque nem todas acumulam água, e as que acumulam, não são ambientes favoráveis para as larvas do mosquito, pois o que fica no tanque é um suco biológico que desfavorece a evolução da larva do mosquito. Para entendermos melhor, segue a explicação da bióloga Maurizia de Fátima Carneiro, no programa Globo Rural, que foi ao ar em 27/09/2015:

 

" (...) As bromélias em forma de roseta não acumulam água. Para que as bromélias acumulem água, a primeira coisa é que tenham folhas embricadas - ou seja - uma folha sobre a outra - formando um tanque, retendo a água dentro deste tanque (...). Nesta condição, ela (a bromélia) forma um micro ambiente, ideal para pequenos animais como insetos, aranhas, anfíbios, pequenos répteis, e esses animais, ao usar a água da bromélia, eles vão deixar resíduo ali dentro. Então, na realidade, esta água não é limpa, mas tem um suco orgânico e o mosquito da dengue no suco orgânico não tem um bom desenvolvimento".

 

O Instituto Oswaldo Cruz (IOC) realizou um estudo, durante um ano, monitorando 156 bromélias situadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Este estudo aponta que, em locais de interface entre o ambiente urbano e silvestre – como parques e encostas de morros –, as bromélias não possuem um papel importante na proliferação do mosquito Aedes aegypti. O resultado demonstra baixo índice de presença das formas imaturas do A. aegypti. Apenas 0,07% de um total de 2.816 formas imaturas de mosquitos coletadas nas bromélias durante este período correspondiam ao Aedes aegypti.

 

Portanto, podemos cultivar nossas lindas bromélias sem medo e deixar cada vez nossos jardins saudáveis e bonitos.

 

Mas vale lembrar que prevenção é fundamental, portanto se tiverem vasos com pratinhos em seus jardins, ou objetos de decoração que possam vir a acumular água, bem como cachepots, fiquem atentos. Pode se colocar areia ou até mesmo pó de café usado (a famosa borra de café) nos recipientes passiveis de acúmulo de água. Lembre-se de trocar a cada três dias. Vasos de plantas aquáticas devem ser lavados com água e sabão, toda semana. É importante trocar a água desses vasos com freqüência.

 

 

 

Tatiana Gigante - Paisagista

Agave Paisagismo

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